Setembro AMARELO

O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Envolve questões socioculturais, históricas, psicossociais e ambientais.

Um fenômeno marcado pela complexidade, que se configura como processo humano e universa, sendo que a causa não deve ser reduzida a um acontecimento específico. Desse modo, para compreendê-lo é primordial que seja considerada a trajetória de vida do indivíduo, sua subjetividade, bem como variáveis ligadas ao contexto histórico, econômico e cultural. O suicídio exige uma análise da culminação dos fatores psicossociais e das experiências singulares do indivíduo. A complexidade do suicídio reside na maneira como esses fatores se entrelaçam e, sobretudo, se potencializam.

Tanto os fatores de risco quanto os de proteção para o comportamento suicida e para o suicídio são complexos, com múltiplas determinações, podendo ser prevenidos através de intervenções oportunas embasadas em dados confiáveis. Pode ser prevenido! Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo

Questão de Saúde Pública: O que Cultura de Paz tem a ver com Saúde?

A própria concepção de saúde é uma manifestação da cultura de paz. Segundo a OMS, a saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1946). Essa é uma perspectiva ampla de saúde, que não se restringe ao indivíduo, mas contempla também a coletividade, a sociedade e o planeta. No Brasil, a Constituição Federal determina que a Saúde é um direito de todos e dever do Estado e garante a todas as pessoas acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. No nosso país a saúde não é considerada um bem (que pode ser adquirido por aqueles que têm recursos), mas um direito intrínseco de todas as pessoas, não só brasileiros (as) como de qualquer pessoa em território nacional. Os princípios do SUS são o resultado de um amplo processo democrático denominado Reforma Sanitária, que refletem um olhar inclusivo, solidário e democrático. Todo o sistema de saúde no Brasil é construído sobre valores intimamente associados à Cultura de Paz. A universalidade do acesso, que permite a todos serem atendidos, independente de qualquer tipo de contribuição é uma das manifestações dessa relação.

Outros fatores: Exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, entre outros podem ser fatores que vulnerabilizam, ainda que não possam ser considerados como determinantes para o suicídio. Sendo assim, devem ser levados em consideração se o indivíduo apresenta outros sinais de alerta para o suicídio.

Como posso ajudar?

Ouvir a pessoa. A pessoa verbalizando poderá encontrar outras possibilidades de solucionar os conflitos e o sofrimento. Oferecer apoio emocional, ouvindo o indivíduo falar sobre suas circunstâncias pessoais e sociais que o colocam sob risco – que o faz pensar que a morte é a solução. Quanto mais abertamente a pessoa falar sobre a dor, perda, isolamento e desvalorização, menos confusa suas emoções se tornam. Quando essa confusão emocional cede, a pessoa pode se tornar reflexiva. Esse processo de reflexão é crucial, pois encontra outras possibilidades e ninguém senão o próprio indivíduo pode revogar a decisão de morrer e tomar a decisão de viver. Por isso a importância de ouvir e acolher a pessoa sem fazer juízo de valor ou desmerecer o sofrimento.

 Acompanhe a pessoa. Fique em contato para acompanhar como a pessoa está se sentindo e o que está fazendo, independentemente, se ela apresentar tendência suicida. Não sabemos a intensidade de um sofrimento e foge do nosso controle saber, mas está no nosso controle decidir não invalidar o sofrimento do outro e de nossa escolha parar para simplesmente ouvir.

Busque ajuda profissional: Essencial! Incentive a pessoa a buscar ajuda profissional e se ofereça para acompanha-la a um atendimento de Unidade Basica de Saúde, CAPS – Centro de atenção Psicossocial e serviço de emergência (SAMU 192, UPA 24h, Pronto Socorro e Hospitais) .

Só de você demonstrar importância no ouvir o sofrimento dela pode ser de grande ajuda para a pessoa não se sentir sozinha, podendo encontrar outras possibilidades positivas e saudáveis.

MITOS E VERDADES: Falar sobre suicídio não aumenta o risco isso é um tabu. Falar sobre suicídio se colocar à disposição com empatia alivia a angústia e a dor do outro que está pensando. Quem quer se matar não avisa, é um mito pois pessoas que pensam falam ou dão sinais. Considerar que é frescura o sofrimento ou que é falta de Deus é um mito. A pessoa não está chamando atenção está sinalizando de algo não vai bem. Fazer a pessoa se sentir culpado com frases do tipo: “Sua família vai sofrer muito”, “Você conquistou tudo isso e agora vai jogar tudo pela janela?”, “Você não reconhece a vida boa que tem”... enfim no querer ajudar a pessoa em sofrimento, devido à falta de informação frente ao sofrimento, a pessoa pode piorar toda situação. Não podemos julgar nem banalizar/desmerecer a dor do outro muito menos quantificar, não existe sofrimento pequeno nem sofrimento grande sofrimento é sofrimento.    

SINAIS: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

Os sinais de alerta não devem ser considerados isoladamente. Não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo o aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas. Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real. Como avisos de alerta de que precisa ser ouvido e acolhido.

Isolamento: As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.

Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança: As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos.

Frases: Alguns comentários como: “Vou desaparecer”; “Vou deixar vocês em paz”; “Eu queria pode dormir e nunca mais acordar”; “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”.

ONDE POSSO BUSCAR AJUDA? É uma questão de Saúde Pública!

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

UPA 24H, SAMU 192, Proto Socorro; Hospitais

Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita)

INFORMAÇÕES SOBRE AJUDA DISPONÍVEL A mídia pode ter um papel proativo na prevenção do suicídio, ao divulgar as seguintes informações junto com as notícias sobre suicídio:

  1. Listas de serviços de saúde mental disponíveis e telefones e endereços de contato onde se possa obter ajuda (devidamente atualizados);

  2. Listas com os sinais de alerta de comportamento suicida;

  3. Esclarecimentos mostrando que o comportamento suicida freqüentemente associa-se com depressão, sendo que esta é uma condição tratável;

  4. Demonstrações de empatia aos sobreviventes (familiares e amigos das vítimas) com relação ao seu luto, oferecendo números de telefone e endereços de grupos de apoio, se disponíveis. Isto aumenta a probabilidade de intervenção por parte de profissionais de saúde mental, amigos e família, em momentos de crises suicidas.

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=JuwKErlrvDg

22/09/2020 Por Colégio Oxigênios 107 Views